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Fui convidada para participar de uma live com a Dra. Patricia Rady Muller, infectologista e clínica geral. Na live que aconteceu dia 28 de maio, discutimos o COVID-19 e a nossa realidade como médicas. No fim, respondemos a maior pergunta: COVID-19, em que ponto estamos?
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Dra. Regina Biasoli
Hematologista e Clínica Geral
CRM 75627
RQE 30670
Com a pandemia e o uso obrigatório de máscaras faciais, algumas pessoas estão encontrando dificuldade em usar a sua máscara com óculos de grau. Por isso, eu venho te dar uma dica para conseguir manter seus óculos limpos e desembaçados. Espero que gostem!
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Hoje em dia temos dois testes possíveis para garantir o seu diagnóstico de Coronavírus. Um para saber se você adquiriu a doença e o outro, se você tem imunidade contra o COVID-19.
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O mieloma múltiplo corresponde a cerca de 1% dos tumores malignos, 10%-15% das neoplasias hematológicas atingindo mais os idosos. A Portaria nº 708, de 6 de agosto 2015 do Ministério da Saúde aprova as Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Mieloma Múltiplo. O mieloma múltiplo (MM) é uma neoplasia maligna de origem hematopoética. Mais de 90% dos casos ocorrem após os 50 anos, no Brasil, 60 anos é a idade média dos pacientes ao diagnóstico. O MM é uma doença clonal de plasmócitos, que produzem em excesso uma proteína relacionada à imunoglobulina humana, denominada proteína monoclonal (proteína-M), paraproteína ou pico-M. Estruturalmente, as imunoglobulinas normais são compostas por duas cadeias pesadas e duas cadeias leves; há cinco tipos de cadeias pesadas (IgG, IgA, IgM, IgD e IgE) e dois tipos de cadeias leves (kappa e lambda). Os plasmócitos malignos podem secretar imunoglobulinas anômalas (cadeia pesada e cadeia leve), somente M leve ou nenhuma paraproteína. O acometimento ósseo é característico da doença.
Na avaliação radiológica inicial, quase 80% dos pacientes terão lesões no esqueleto, acometendo vértebras (65%), arcos costais (45%), crânio (40%), ombros (40%), pelve (30%) e ossos longos (25%). As lesões ósseas resultam do aumento da atividade osteoclástica (reabsorção), pela exaustão da função osteoblástica e redução da formação óssea.
A investigação inicial visa a identificar, em um doente com quadro clínico sugestivo de MM, lesões de órgãos alvo, presença de proteína monoclonal tumoral (sérica ou urinária) e infiltração plasmocitária da medula óssea. São exames iniciais: Cálcio sérico total (e albumina) e cálcio iônico; Ureia e creatinina; Hemograma completo; Radiografia de esqueleto (“rastreamento ósseo”). Pesquisa de proteína monoclonal: • Eletroforese de proteínas séricas e imunofixação; • Eletroforese de proteínas com concentração (urina de 24h) e imunofixação; • Dosagem sérica das imunoglobulinas (IgA, IgD, IgM, IgG e IgE); • Dosagem de cadeias leves livres monoclonais séricas; A proteinúria de Bence Jones por técnica de precipitação pelo calor deve ser abandonada por não apresentar sensibilidade, especificidade e reprodutibilidade adequadas. A pesquisa de cadeias leves livres monoclonais séricas (FLC) deve ser feita ao diagnóstico e tem valor prognóstico para as diversas formas de neoplasia de células plasmáticas. Em dois terços dos pacientes com MM que têm imunofixação sérica e urinária negativas a pesquisa de cadeias leves pode ser positiva. O valor normal para FLC kappa/lambda varia de 0,26 a 1,65. Se maior que 1,65, contém excesso de cadeias kappa livres e, se abaixo de 0,26, de cadeias lambda livres. A eletroforese de proteínas séricas (EFPS) demonstra único pico estreito ou banda em 80% dos casos e tem sensibilidade de 1-2g/L, enquanto a imunofixação sérica (IFS) detecta proteína M em mais de 90% e tem sensibilidade de até 0,2g/L. A dosagem sérica das imunoglobulinas sugere aumento da imunoglobulina envolvida e o percentual de freqüência mais comum é IgG 50%, seguido por IgA 20%, cadeia leve 15%-20%, IgD 2%, IgM 0,5% e biclonal 2%, sendo que a kappa é duas vezes mais frequente que a lambda Em mais de 90% dos casos, demonstra redução de imunoglobulina não envolvida. A combinação de EFPS, IFS e FLC detecta componente monoclonal em virtualmente todos os casos de MM (acima de 99%). Se a suspeita diagnóstica de MM for apoiada pelos exames iniciais, a investigação deve prosseguir com a seguinte avaliação: Se o diagnóstico de MM for confirmado, é útil avaliar, para o planejamento terapêutico: Tempo de trombina (TT), tempo de protrombina (TP) e tempo de tromboplastina parcial ativa (TTPa); Fibrinogênio, dímero-d, produtos de degradação da fibrina; Níveis séricos de bilirrubina total e frações, fosfatase alcalina, transaminases, gama-glutamil transferase, ácido úrico e glicose; Parasitológico de fezes; Medida da viscosidade sérica ou exame de fundo de olho.
As definições a seguir são adaptadas das recomendações do International Myeloma Working Group (IMWG) e da OMS para o diagnóstico de neoplasias de células plasmáticas:
Desidrogenase láctica (DHL);
Beta2-microglobulina;
Proteína C reativa – PCR e
velocidade de hemossedimentação -VHS;
Proteinúria de 24h pelo método vermelho de pirogalol ou cloreto de benzetônio (fitas da urinálise de rotina não identificam cadeias leves);
Mielograma e biópsia de medula óssea (BMO);
Imunofenotipagem,
citogenética convencional e, se disponível,
hibridização fluorescente in situ (FISH), em espécimes de medula óssea obtidos por mielograma, para confirmação diagnóstica em casos duvidosos e estratificação prognóstica.
Ø Detecção de proteína monoclonal no soro ou urina;
Ø Infiltração medular > 10% por plasmócitos clonais ou plasmocitoma ósseo ou de partes moles; e, alternativamente,
Ø Pelo menos uma lesão de órgão alvo (LOA):
hipercalcemia (cálcio sérico > 11,5mg/dL ou 1 mg/dL acima do limite superior normal para o método),
insuficiência renal (depuração de creatinina < 40 mL/min ou creatinina > 2mg/dL),
anemia (hemoglobina < 10g/dL ou 2g/dL abaixo do limite inferior normal), e doença óssea (uma ou mais lesões osteolíticas na radiografia de esqueleto ou tomografia); Ø Pelo menos uma característica biológica de agressividade: infiltração plasmocitária clonal da medula óssea > 60%; razão de cadeias leves livres séricas envolvidas/não envolvidas > 100; duas lesões osteolíticas maiores que 5 mm em exame de ressonância magnética.
Não há ponto de corte definido para proteína M sérica ou urinária. Na maioria dos casos, está acima de 3g/dL de IgG, acima de 2,5g/dL de IgA ou > 1g de cadeia leve livre na urina de 24 h mas alguns pacientes com MM têm níveis menores. Os plasmócitos monoclonais geralmente excedem 10% das células nucleadas da medula óssea, mas nenhum nível mínimo é definido, pois cerca de 5% dos pacientes com MM têm menos do que 10%.
Quando não há proteína-M sérica ou urinária detectável, pode-se caracterizar como mieloma múltiplo não secretor se houver acima de 10% de plasmócitos clonais na medula óssea.
Pacientes com amiloidose diagnosticada por biópsia ou doença de depósito de cadeia leve monoclonal (DDCLM) devem ser classificados como “Mieloma com amiloidose documentada” ou “Mieloma com DDCLM documentada”, respectivamente, se tiverem acima de 30% de plasmócitos na medula óssea e/ou doença óssea relacionada.
Caracterizado quando houver concomitantemente:
Para estratificação de risco e estadiamento do MM, podem ser utilizados o sistema Durie-Salmon (SDS): níveis de proteína M, imunoglobulinas, hemoglobina, cálcio sérico, lesões ósseas múltiplas, sendo o comprometimento renal usado como subclassificação; ou o sistema de estadiamento internacional (ISS): B2-microglobulina e albumina. Quando for disponível citogenética, recomenda-se a adoção do modelo do IMWG, baseado no ISS (albumina sérica e beta-2 microglobulina) e no exame citogenético. Mediante suspeita clínica, a avaliação complementar e a identificação do MM em seu estágio inicial e o encaminhamento ágil para o atendimento especializado têm caráter essencial para melhor resultado prognóstico e terapêutico.
Consulte a Portaria nº 708 no endereço: http://conitec.gov.br/images/Protocolos/ddt_Mieloma-Multiplo.pdf